Sobre a Natureza de Davokar, Parte I 2


O que se segue é uma das mais condensadas e ao mesmo tempo esclarecedoras descrições da floresta de Davokar. O texto é um relato de uma performance na adega Tuvinels em Yndaros. O orador era um caçador de tesouos anônimo e alegadamente bem-sucedido, e o transcritor não era ninguém mais que Iasogoi Brigo – à época, um dos mais ambiciosos aprendizes da Ordo Magica, atualmente famoso por ter explorado as Catacumbas de Akkona.
O anonimato do orador pode ser entendido como um efeito da quase sectária atmosfera que pode ser encontrada entre caçadores de tesouros experientes: eles orgulhosamente competem entre si, mas são cuidadosos para não convidarem intrusos à corrida pelas fortunas da floresta. Transmitir conhecimento aos lacaios da Rainha e às casas nobres, como o orador faz, é praticamente o pior que se pode fazer, já que os nobres nascidos em Ambria já são injustamente favorecidos por terem acesso a recursos inesgotáveis.
Por isso, devemos saudar o orador por ter a coragem de dizer o que pensa; somente através de tal generosidade que aventureiros iniciantes podem ter uma chance de sobreviver a seus primeiros passos vacilantes no caminho dos caçadores de tesouros.

Para os não iniciados, vamos começar com o óbvio: Davokar é uma floresta como nenhuma outra.
Primeiro, ela é enorme! Tão vasta, que leva-se semanas ou meses para atravessá-la, dependendo da rota selecionada e do que acontecer no caminho. Segundo, ela é tão variada que os bárbaros têm mais de uma centena de palavras para descrever suas diferentes partes – desde a fronteira territorial no sul, Odovakar, até Symbar, o encantador e horripilante coração da floresta. Terceiro, há aqueles que persistem em retratar Davokar como um ser, um organismo faminto, que se esforça e até mesmo pensa. E, embora essas retratações ecoem os contos dos bárbaros e das bruxas, elas não podem ser prontamente ignoradas. Tão certo quanto estou diante de você agora, frequentemente me senti como um intruso indesejado nos salões folhados de Davokar; indesejado não somente por elfos e bestas, mas também pela vegetação, pelas águas e seu solo.
A enormidade da floresta, emparelhada com sua vegetação variada e incerteza a respeito de seu caráter básico, torna impossível produzir um relato distinto e holísitco sobre sua natureza. E a tarefa fica ainda mais difícil quando bárbaros e elfos inventam contos sobre males antigos e fontes dormentes de corrupção, esperando assustar povos honestos para longe. Mas não devemos ser dissuadidos por histórias incertas e de fantasmas! Os tesouros de Davokar podem alimentar famílias, pagar por castelos e, por fim, ser o sol que faz o reino de Korinthia prosperar.
Antes de começar, preciso comentar das restrições estabelecidas por nossa Rainha, mais precisamente as leis regulando o acesso de nosso povo a Davokar. Eu não sou homem o suficiente para questionar a sabedoria nisto, e talvez a nova licença de exploradores estabelecida seja essencial para impedir que as matas transbordem de indigentes caçando ouro, sedentos por joias e artefatos. Mas o que de bom pode surgir de um estatuto que exige que nós, exploradores, nos registremos e paguemos taxas por nossos achados é difícil de se ver; na mesma nota, a ameaça de prisão e até mesmo punição capital parece incomprovada, para dizer o mínimo. Pessoalmente, eu tenho vários amigos, exploradores celebrados, que estão considerando realocar suas empresas para outro lugar a fim de evitar uma administração sem sentido e cobranças injustas. Tal desenvolvimento, sem dúvida, será a queda do reino de nossa Rainha!

As Regiões Abertas

Pode-se entrar nas regiões externas de Davokar, o lar dos clãs bárbaros, sem pôr em perigo a vida e os membros de seu corpo – a vegetação é relativamente jovem e deixa passar mais luz do sol do que os horrores da floresta podem suportar. Mas entrar nos territórios dos clãs sem armas não é aconselhável. Ainda, aconselharia exploradores a sempre viajarem em grupos, a ter suas licenças em ordem, a realizar cuidadosos planos de viagem e sempre se aterem ao plano, não importa o que aconteça. Boas relações entre o grupo, preparações meticulosas e a habilidade de resistir a tentações são vitais para assegurar um retorno bem-sucedido!
Entretanto, nas regiões externas ainda é possível encontrar ajuda e abrigo se algo der errado. Os sentinelas patrulhando a estrada entre Otra Senja e Otra Dorno algumas vezes fazem excursões às matas, frequentemente junto de Patrulheiros da Rainha quando ouvem rumores sobre ameaças em potencial ao longo da fronteira meridional. E também há um número crescente de postos avançados permanentes na parte sul da floresta, onde servos fiéis de nossa Rainha se empenham em corte de lenha, escavações e estudos eruditos da flora e fauna de Davokar.
As coisas ficam piores conforme se viaja para os arredores do norte, leste e oeste. Os bárbaros que moram lá não são tão pacíficos quando o clã Odaiova em Odovakar. Aquele que busca abrigo primeiro deve convencer o chefe e sua bruxa de que é: a) nenhuma ameaça, b) saudável e imaculado, e c) averso a qualquer tipo de atividade que ameaça perturbar Davokar. Se for capaz de convencer o chefe, você pode trocar mercadorias e serviços por comida e abrigo; se falhar em convencê-lo, na melhor das hipóteses será expulso, enquanto no pior dos casos se torna uma almofada para agulhas gigantes.

Natureza

As partes abertas de Davokar são tão belas como uma floresta consegue ser – copas de árvores exuberantes sobre uma vegetação bem verde cheia de plantas carregadas de frutas e adoráveis flores silvestres, tudo colorido pelos raios filtrados que vêm de cima. Em outros lugares os pinheiros formam saguões majestosos, com troncos de até cem metros de altura, tão sedentos e abrangentes que nada além de musgo verde esmeralda cobre o chão.
Mas o caçador de tesouros recém-formado deve manter sua guarda. Frutas e bagas podem envenenar tanto quanto curar; um bosque receptivo pode ser na verdade um brejo disfarçado; uma bela roseira pode subitamente passar seus ramos em volta de suas pernas e braços, caçando sacos de carne nutritivos. Pagar para um desbravador habilidoso sempre vale o custo de cada táler!
Considerando ruínas e outros terrenos de tesouros, as partes abertas de Davokar têm muito a oferecer. Por tradição, os clãs bárbaros deixam os tesouros em paz, e os outros moradores da floresta não têm razão para bisbilhotar o passado da humanidade – por isso, um explorador sortudo ainda pode encontrar ruínas intocadas ou até mesmo cidades completamente arruinadas. A maioria dos locais ao longo da fronteira meridional já foram mapeados e saqueados, seja pelos exploradores da Rainha ou por bravos caçadores de tesouros, mas para aqueles que se aventuram mais ao norte ou nas profundezas abaixo do solo, as chances de descobertas são aumentadas dramaticamente.

Criaturas

As partes abertas de Davokar são, primariamente, o lar de bárbaros e animais-presas; todos os predadores das profundezas consideram os que vivem nos arredores como suas presas, quer andem em duas pernas ou em quatro. Matilhas de jakaars e pesadelinos, abominações esfomeadas, arquitrolls brutamontes – todos eles caçam nas margens da floresta, a maioria à noite, mas várias exceções têm sido relatadas.
Também deve-se adicionar fadas e elfídeos às ameaças contra viajantes. Os primeiros, aparentemente, adoram atrair humanos para os braços de todos os tipos de monstruosidades, em pântanos ou em armadilhas diabólicas de tipos variados. Os elfídeos agem com maior paixão, especialmente se forem liderados por um elfo. Humanos que se encontram no lugar errado, que estão violando os tratados, raras vezes recebem mais de um aviso; aí, então, os orelhas-pontudas atacam – diretamente se forem superiores em números e força, ou com armas à distância enquanto se retiram taticamente se o equilíbrio de forças for desfavorável.
Novamente: Você precisa estar armado, viajar em grupos e ser capaz de resistir às tentações se quiser sobreviver em Davokar!

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